Sunday, April 09, 2006

My view

Tropicália, A Revolution in Brazilian Culture
Barbican Art Gallery, 16 Feb - 21 May

Fica a sensação de uma exposição fora do lugar, uma espécie de zoológico. A tentativa de recriação forçada e imperfeita de performances que existiram nos anos 60, 70, que se estendeu além fronteiras brasileiras, instalações que viveram porque interactivas com o público – foi desconfortável entrar nelas, da forma como as senti "enjauladas" no Barbican. Será essa participação assim desconfortável a prova do seu sucesso? A consciencialização de que a tropicália viveu fora de museus, na rua, noutros tempos, noutro contexto.


Não me parece. Senti a tropicália mais genuína nas quatro televisões onde vi finalmente ao vivo os tão ouvidos festivais de música brasileira onde Caetano, Gil, os Mutantes espicaçavam os brasileiros com músicas e discursos sobre ser proibido proibir.

A tarde acabou com uma hora de conversa com um Caetano amestrado, à vontade num mundo de produção discográfica, a falar de paixões e intenções passadas com uma ironia e displicência difíceis de ouvir sem o mandar à merda. Sei, os anos passaram, as pessoas mudam. Não senti mais vontade de lhe perguntar o que queria: a mudança de atitude e de fazer música, esta forma diferente de falar sobre o que a tropicália representou e foi através de si – dessensibilizada, despolitizada, distante, é pacífica para si? Acabou-se a minha esperança de uma surpresa na resposta.

No comments: